O comer

As palavras têm muita manha. A mesma palavra pode ser aceitável ou não dependendo da região e meio social em que nos movemos — e da classe gramatical a que a própria palavra pertence. Por exemplo, a palavra “comer”, enquanto substantivo, é usada em quase todo o país sem levantar celeuma — mas há regiões e meios sociais que lhe torcem o nariz. Se for verbo, já todos comem a palavra sem pestanejar. Em termos de correcção linguística, nada há a obstar à palavra usada enquanto substantivo: também dizemos “o saber não ocupa lugar”. As palavras saltam as classes gramaticais … Continuar a ler O comer

Antidisestablishmentarianism

Na nossa dose diária de palavras, continuamos com aquela que muitos dizem ser a maior palavra da língua inglesa:  antidisestablishmentarianism. O significado é muito específico. É algo como “movimento que se opõe à separação entre a Igreja e o Estado [em Inglaterra]“. A palavra existe porque, em Inglaterra existe uma igreja instituída, integrada no Estado — a Igreja Anglicana. (O mesmo não acontece no País de Gales e Irlanda do Norte; na Escócia, a situação é mais complexa.) Como em tudo, há quem não concorde e defenda a separação entre a Igreja e o Estado. Paralelamente, há quem defenda a manutenção … Continuar a ler Antidisestablishmentarianism

Empanzinar

Uma palavra por dia, não sabe o bem que lhe fazia… Empazinemos, pois, palavras, todos os dias. Mal não faz — e pode ser mais do que uma por dia. Empanzinar. Abarrotar, enfartar, enganar, fartar-se. — Dicionário de Sinónimos, Porto Editora (2.ª Edição). “Baixava a voz numa confidência: — É só abrir a boca e comer, meu velho, comer até empazinar. . . Ria em risadinha curtas, saboreando seu dito…” — Os Subterrâneos da Liberdade, Jorge Amado “19 deputados foram acusados de empazinar-se com recursos ilícitos do chamado valerioduto.” — Folha Online Continuar a ler Empanzinar

dactylographiassions

Dactylographiassions. Primeira pessoa do plural do imperfeito do subjuntivo do verbo “dactylographier”, em francês. Em português, seria “dactilografássemos”. Com o “y” e o “ph”, esta forma francesa tem o seu quê de portuguez de oitocentos, com os seus lyrios, as suas pharmacias, as suas chronicas, toda essa orthographia anterior à assignatura de qualquer accordo. Continuar a ler dactylographiassions